domingo, 13 de setembro de 2015

Perdidos e lembrados

Lembranças são fragmentos de memória e ilusão combinados e manejados para ser o que outrora foi momento.
Momento é o lapso do tempo que mal pode ser definido porque é de uma existência virtual.
Lembrança é uma mentira contada por nós para nós.
Momento sequer existe.

Chamamos momento de lembrança e vice-versa porque sequer conseguimos notar suas diferenças se é que elas existem.
Nessa bagunça de conceitos buscamos um no outro.
Revivemos lembranças em busca de momentos acreditando na sua autenticidade.
Os momentos não podem ser revividos e as suas lembranças pouco são confiáveis.

E isso é tudo e há de ser o bastante.

A beleza não está no que se supõe ter acontecido nem do que se guarda e sim no potencial de tudo que está por vir.
É burrice perder tempo revivendo lembranças, recriando emoções, artificializando a vida.

Futuro é todo potencial.
Presente é o que se faz com isso.

Depois é lembrança.

Quando me arrumei

Já não lembro quando fiz a última faxina nesse lugar. Vou me arrumar.
Entro em mim.
Há malas a serem desfeitas, malas de longas viagens. É muita carga pra andar por aí sustentando.
Não me lembro de ter reunido tanta coisa, eu já fui muito mais leve.
Certas viagens duram mais do que deveriam, não há mais de novo a ser visto. Nenhuma novidade que valha mais um dia sequer hospedada em qualquer expectativa.
É hora de voltar pra casa, voltar pra mim, me reencontrar.