quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Reflexão de chuveiro

Ouviu boa música, leu bons livros, procurou saber de tudo um pouco. Um pouco de Nietzshe, Comte, correntes filosóficas diversas, leu ate "A arte da guerra". Conheceu um pouco do pensamento de Frued e até Bauman quando tava na moda. Pelo que se interessou mais, aprofundou-se, entendeu como funciona a sociedade, seus valores, seus preconceitos, até se indignou. Questionou tudo, formou opinião politica, diretriz ideológica, discutiu todo assunto que julgou produtivo. Assistiu filmes de Almodovar, tentou analisar suas mensagens, desenvolveu teorias. Adorou "A pele que habito", relacionou os aspectos convenientes à militância a qual se dedicava. Detestou "Carne Trêmula", talvez nunca tenha entendido, promete rever em tempo mais oportuno. Recorreu ao dicionario algumas vezes. O suficiente pra não limitar-se nem parecer pedante. Não leu tudo que quis ainda, nem entende sobre todos assuntos que gostaria. Ainda tem uma vida inteira pela frente, esforça-se para não ser um idiota. 
Quem sabe isso até ajude na paquera. Nunca ajudou.  
Quase ninguém se interessa.
As pessoas são movidas por impulsos. Nos seres humanos, conscientes, os impulsos são conceitos. 
A formação de um conceito perpassa por tudo que fez de você exatamente quem você é ao longa da sua jornada. Isso quer dizer que o que você deseja ser faz de você exatamente quem você é, numa relação de mútua dependência.
Acho que foi isso que Paulo Leminski quis dizer com: "Isto de querer ser exatamente aquilo que a gente é, ainda vai nos levar além". 
Se eu tivesse que andar com um "status", como tem no meu instagram, esse com certeza seria meu lema. Nada sintetiza tão bem a motivação de todos os meus esforços ao longo do dia, tentando mudar pra atender aos meus ideais. 
Sem desviar muito das inquietudes que me levaram à primeira letra, mas assessorando o meu entendimento de mim mesma, deixo aqui o desabafo de que nada me angustia mais que essa conduta de negação à mudança, de enrijecimento das ideias, de inflexibilidade das condutas. 
"Eu sou assim e pronto.", dando responsabilidade a uma suposta personalidade inata pela insubordinação ao seu próprio juízo moral. 
Pra não ser duplamente contraditória debrucei-me na melhoria de mim mesma. 
Bem, pintado o cenário geral onde se desdobrará a construção de meu eu, tudo fez de mim um pouco exatamente do que eu sou. 
Se isso faz sentido, necessariamente eu não sou, uma vez que ainda vou me transformar ao decorrer das futuras experiencias.
Moral da historia: Tanta dedicação para me tornar e descubro que foi exatamente isso que ainda não me tornou, uma vez que ainda está me tornando. 
O que importa é que eu sei onde quero chegar e isso praticamente já me deixa lá.

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